quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A pipoca
Rubem Alves


A culinária me fascina. De vez em quando eu até me atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras do que com as panelas.

Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de "culinária literária". Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos.


Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A Festa de Babette que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo — porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.


As comidas, para mim, são entidades oníricas.


Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu.


A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível.


A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem.


Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas.


Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblé...


A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido.


Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.


Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.


Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!


E o que é que isso tem a ver com o Candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.


Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.


Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.


Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.


Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.


Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.


"Morre e transforma-te!" — dizia Goethe.


Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.


Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem.


Por exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior.


Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.


Ignoram o dito de Jesus: "Quem preservar a sua vida perdê-la-á".A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.


Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...


"Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu".


 




O texto acima foi extraído do jornal "Correio Popular", de Campinas (SP), onde o escritor mantém coluna bissemanal.

Para pensar...


"São as perguntas que movem o mundo, são as respostas".

Pedagogia de Projetos: reflexões sobre teoria e prática

        

                     A Pedagogia de Projetos é uma mudança de postura pedagógica, fundamentada na concepção da resolução de situações didáticas, onde o aluno pode aproximar-se o máximo do seu contexto social, possibilitando o desenvolvimento do senso crítico, da pesquisa e da resulução de problemas. Para compreender a Pedagogia de Projetos, julgamos necessário entender o que é um projeto. O projeto é um conjunto de atividades bem elaboradas, com objetivos a serem alcançados e atitudes intencionais, com a função de desenvolver as pontecialidades do indivíduo e também a capacidade de superar suas limitações.
                Dessa maneira, compreendemos a Pedagogia de Projetos para o professor, como uma forma de organizar sistematicamente e criativamente o seu planejamento, podendo utilizar-se das necessidades, das curiosidades das crianças para elaborar um projeto que faça sentido para a vida dessas. Por isso, afirmamos que todo projeto está repleto de intencionaldiades, das quais o professor é norteador das atividades.
                 Com a finalidade de promover a mudança de pensar o currículo e a prática pedagógica, visto que em muitas situações, a Pedagogia de Projetos tem sido utilizada como modismo educacional, onde para se dizer que trabalha-se com projetos, a escola usa apenas e exclusivamente em datas comemorativas. Sabemos, que essa não é a proposta dessa metodologia.
                   Na Pedagogia de Projetos, a responsabilidade da construção do conhecimento não é do professor, ele apenas colabora, norteia as investigações feitas pelas crianças, sendo elas as coresponsavéis por esta construção. Por isso, na construção do projeto, faz-se necessário que o professor instigue os alunos a questionar, a desejar conhecer algo, a criar um problema, para que a partir dali, brotem as inquietações e as buscas por respostas.  Quanto mais próxima da realidade do aluno, quanto mais interessante for o assunto, o tema do projeto para a criança, mais ela se dedica a aprender, e isso faz com que haja uma aprendizagem significativa, pois a mesma fará sentido e será aplicavél  no cotidiano do indivíduo.
                Dewey, afirma que não é uma preparação para vida. É a própria vida. Quando chegamos a compreensão que os projetos não sõ meros passatempos, não são para ocupar espaços ou encerrar atividades diferentes na escola, percebemos que a responsabilidade enquanto educadores, só aumenta, pois as aprendizagens construídas nessa infância será base para que outras construções aconteçam.
                 Ausubel, chama esssa construção de aprendizagem significativa, onde explica a estruturação da aprendizagem, quando partindo de conhecimentos prévios, outros conhecimentos são consturídos, reestruturando assim, os anteriores e permitindo que o aluno amplie conceitos e os utilize, porque compreendeu através da experiementação.
               É essencial que a elaboração, o trabalho com projetos seja realizado de maneira interdisciplinar, globalizando conhecimentos, permitindo que todas as áreas de conhecimento sejam exploradas e "abastecidas".
          Quando o professor, elabora, define o projeto de trabalho para o seu grupo específico, ele ensina onde buscar informações, as fontes de pesquisa, os possíveis adultos a quem pedir ajuda. O professor que é apaixonado pela sua profissão e consegue encantar os seus alunos, consegue um resultado melhor que aquele que faz por fazer, sem amor, sem paixão pelo que faz. O professor que se preocupa com as construções cognitivas, automaticamente, se mostra mais preocupado com o que vai lecionar,  é mais atencioso com os anseios das crianças, é mais preparado para mediar as construções e mais apto a elaborar projetos de trabalho.


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

terça-feira, 6 de novembro de 2012

AUMENTA O SOM QUE O RAP É DO BOM!


        Estudo errado, de Gabriel O pensador. Música de qualidade e com um tema interessantíssimo para nós, pais e educadores. Será que os metódos de ensino e os contéudos aplicados em sala de aula, estão suprindo a necessidade de conhecer, das nossas crianças? Ainda estamos utilizando os mesmos conteúdos e planejamentos descontextualizados?



segunda-feira, 5 de novembro de 2012

OLHA QUE LEGAL!

Pega- varetas gigante, sem pontas!!!

O mais legal é confeccionar o jogo com as crianças, é simples, fácil de fazer e muito divertido!




Você vai precisar de:
Jornal
Cola líquida
Tinta guache de diversas cores

Como fazer:
Primeiro, faça um canudinho com as folhas de jornal. Use a folha toda. Quanto mais apertado o canudo, mais firme vai ficar sua vareta. Use a cola para grudar a borda e as pontas do canudinho, para que ele não desmanche.
Quando a cola secar, pinte de cores variadas. As varetas de uma determinada cor podem valer mais, ou apenas tornarem a brincadeira mais divertida.
Com a tinta seca, basta espalhar as varetas no chão e começar a brincadeira.

 Disponível em : http://www.casadobrincar.com.br/site/fui-eu-que-fiz-pega-varetas-gigante/

sábado, 3 de novembro de 2012

A reflexão no fazer pedagógico


Frequentemente o professor é apontado como culpado pelo fracasso escolar, porém ao longo do tempo não houveram oportunidades de explicar suas dificuldades e opiniões a fim de construir novas práticas. Daí então a necessidade de que um novo modelo de professor entre em ação, o professor reflexivo, capaz de criar suas próprias ações, de administrar as complexidades reais e de resolver situações problemáticas por meio da integração inteligente com a técnica  e os conhecimentos práticos adquiridos.
O professor reflexivo é um investigador de sua sala de aula, formula estratégias e reconstrói a sua pratica pedagógica . Ele pensa para fazer e pensa sobre o fazer. Refletir a prática se apresenta, então, com dois aspectos complementares:
Por um lado indica a necessidade de interferência na pratica, da sua modificação por um processo próprio.
Por outro, refletir a prática é praticar a reflexividade, ou seja, dinamizar a vivência através de um processo recriador , adotando como perspectiva a possibilidade inerente de construção de um novo saber. O profissional reflexivo atua de forma flexível e contextualizada, dialogando com a realidade, refletindo na e sobre a ação.
Na medida em que o profissional coloca para si questões do cotidiano como situações problemas, ele está realizando reflexão, buscando uma interpretação para aquilo que é vivenciado.
É nesse contexto que desponta a escola chamada de reflexiva, que segundo Toledo, Araújo e Palhares (2005)

[...] é uma comunidade educativa que aprende e que se desenvolve de um modo rápido, inteligente e diferenciado. É uma escola concebida com um todo dinâmico, consciente responsável, vivo, atuante e transformador da sociedade, qualquer que seja o nível que atue.


Isabel  Alarcão é uma das autoras que defende a reflexividade no âmbito educacional, entre sua obras está  Escola reflexiva e Nova Racionalidade, onde  faz defesa da escola ( comunidade escolar, recursos humanos) como um ambiente de reflexões para mudanças ideológicas, cultural, social e profissional, visto que a educação é o cerne do desenvolvimento humano e de sua vivência social.
Segundo a autora há um desejo formar uma escola concebida como organização que pensa a si própria, na sua missão, e confronta-se com o desenrrolar da sua atividade. Acredita-se que formar é organizar contextos de aprendizagens, exigentes e estimulantes, favorecendo o cultivo de atitudes saudáveis, intervindo e inteirando-se com com outros cidadãos.
Na escola todos são atores que protagonizam a organização escolar, porém o professor é um ator em primeiro plano, pois são responsáveis por termos individuais e coletivos.
Para Isabel Alarcão:
A escola reflexiva é uma “[...] organização que continuadamente se pensa a si própria, na sua missão social e na sua organização e se confronta com o desenrolar da sua atividade num processo heurístico simultaneamente avaliativo e formativo”. (ALARCÃO 2003)
 
Designa-se escola reflexiva uma “organização (escolar) que continuadamente se pensa a si própria, na sua missão social e na sua organização, e se confrota com o desenrrolar da sua atividade.(ALARCÃO, 2001). A escola concebida assim concebe-se no presente para projetar o futuro sem ignorar os problemas atuais, sabendo para onde vai. Segundo Isabel Alarcão, gerir uma escola reflexiva,  significa:
 
·                                             Saber agir em situação
·                                             Ser capaz de liderar e mobilizar pessoas
·                                             Nortear-se pelo projeto de escola
·                                             Assegurar uma atuação sistêmica
·                                             Assegurar a participação democrática
·                                             Pensar e escutar antes de decidir
·                                             Saber avaliar e deixar-se avaliar
·                                             Ser consequente
·                                             Ser capaz de ultrapassar dicotomias paralisantes
·                                             Decidir
Essa escola surge devido a novas exigências educacionais diante as transformações socais e globais gerados pelo contexto contemporâneo, com um caráter autonômo e de identidade própria. Uma escola reflexiva, em desenvolvimento e aprendizagens ao longo da história, é criada pelo pensamento e pela prática reflexiva que acompanham o desejo de compreender a razão de ser da sua existência.
 Reflexão na ação
Durante a reflexão na ação, o profissional coloca para si questões do cotidiano como situações problemas, e busca interpretações para o que é vivenciado. A reflexão na ação é a reflexão desencadeada durante a ação pedagógica, sobre o conhecimento que está implícito na ação.
 Ela é instrumento de aprendizagem do professor, pois é em contato com a situação prática, que o professor adquire e constrói novas teorias, esquemas e conceitos, reorienta, tornando-se um profissional flexível e aberto a desafios impostos pela complexidade  da interação com a prática. No entanto a reflexão realizada sobre a ação e para a ação é fundamental, pois elas podem ser utilizadas como estratégias para potencializar a reflexão na ação.
 Reflexão sobre a ação
 
A prática pedagógica na maioria das vezes é realizada diante da necessidade do ambiente educativo onde o educador necessita possuir diversas habilidades para proporcionar aos seus educandos um processo educativo que atenda suas expectativas. No entanto essa ação na maioria das vezes  é dada sem que antes seja realizada uma reflexão sobre sua prática.
Ao iniciar um curso de formação acadêmica na área pedagógica, os futuros educadores ganham a oportunidade de questionar, interpretar  e refletir sobre  o papel do educador. Essa reflexão da teoria faz com que esses professores cogitem  sobre o conhecimentos adquiridos ao longo dos anos e assim possam a cada dia oferecer aos educandos uma educação de qualidade.
Diante do exposto percebe-se que a reflexão dessa ação é indispensável para o melhoramento do processo de ensino e aprendizagem. Segundo Freire a reflexão  parte 
A curiosidade como inquietação indagadora, como inclinação ao desvelamento de algo, como pergunta verbalizada ou não, como procura de esclarecimento , como sinal de atenção que sugere alerta faz parte  faz parte integrante do fenômeno vital. Não haveria criatividade que nos move e que nos põe pacientemente impacientes diante do mundo que não fizemos, acrescentado a ele algo que fizemos. (FREIRE, 2001)       
Há então um certo distanciamento, um olhar distinto daquele que vivenciou aquela ação. Neste momento, também poderá ser realizada a reflexão sobre a reflexão realizada durante a ação.
A reflexão sobre a ação é a reflexão desencadeada após a realização da prática pedagógica, sobre essa ação e o conhecimento implícito nessa ação, possui um caráter retrospectivo. Essa reflexão pode levar ao achamento de novas ações a serem tomadas na mesma situação, possibilitanto atitudes, soluções diferentes para o mesmo problema.
 
  Reflexão sobre a reflexão na ação
 
A reflexão para a ação é um processo mais elaborado, desencadeada antes da realização da ação pedagógica, através da tomada de decisões no momento de planejamento da ação que será desenvolvida.
O próprio profissional busca a compreensão da ação, elabora sua interpretação e tem condição de criar outras alternativas para a mesma situação que possa vir acontecer.
 A reflexão sobre a reflexão na ação ajuda o professor a progredir no seu desenvolvimento e a construir a sua forma pessoal de conhecer. Trata-se de olhar retrospectivamente para a ação e refletir sobre o momento da reflexão na ação, isto é, sobre o que aconteceu, o que observou, que significado atribui e que outros significados pode atribuir ao que aconteceu. É uma reflexão proativa, que orienta-se para o futuro.
Desta forma, a postura reflexiva não requer apenas do professor o saber fazer, mais que ele possa saber explicar de forma consciente a sua prática e as decisões tomadas sobre ele e perceber se essas decisões são as melhres para favorecer a aprendizagem do seu aluno,pois segundo Perrenoud (2002), ensinar é antes de tudo agir na urgência, decidir na incerteza.
A prática docente crítica, implicante do pensar certo, envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o penar sobre o fazer. (FREIRE, 2001)
 
Percebe-se então que  profissional da educação necessita mudar posturas e práticas, a fim de melhorar a práxis pedagógica. Deixar de ser centro de transmissão de conhecimentos e ser mediador, orientador na organização de idéias aproveita as inquietações, perguntas para estabelecer dialógo com seus alunos.
Refletir a prática apresenta dois aspectos: necessidade de interferência na prática,  dinamizar a vivencia através de um processo recriador, adotando como perspectiva a possibilidade inerente de construção de um novo saber.
A prática não é só o objeto de reflexão; é também de significação, ou ressignificação. Entendida dessa maneira, a reflexão submete-se  ao tempo, cada reflexão gera uma teia de relações sociais e interpessoais, particularizando tal situação e explicitanto sua especifidade.
Refletir a prática é, assim, uma dinâmica em que o tempo se mostra como delineador daquela situação especifica.  Neste sentido podemos entender as diversas leituras e mesmo releituras da prática.
Para Veiga, os problemas educacionais, são sociais, havendo primordialmente a necessidade de mudanças na sociedade ao invés de apenas mudar a educação em si.
O processo de formação de professores, apresenta um esquema que distancia a teoria da prática, pois primeiro é fornecida ao aluno a teoria e só ao final do curso ele vive algum tipo de prática.
Deste modo tem relevância um conhecimento aplicado, onde a teoria traz em si mesmas questões que poderiam ser suscitadas pela prática e, ao mesmo tempo, a sua solução. È o paradigma da racionalidade técnica que privilegia o saber acadêmico em detrimento do saber prático.
O professor reflexivo é orientador para a organização das idéias, aproveita a inquietação de seus alunos e perguntas e estabelece dialogo, preocupa-se com o aluno real, diagnostica falhas e alimenta discussões que acompanham o ritmo de seus discentes. Nessa perscpectiva o professor deixa de ser a figura central, de ser transmissor de conhecimento, para ser um mediador.
Muitos educadores idealizam seu alunado deixando de se preocupar com o real. Não diagnosticam falhas e alimentam discussões que acompanham o ritmo dos alunos. A reflexão permite que o professor altere essas posturas e exerça com responsabilidade a sua função, que não é formar apenas indivíduos conhecedores da ciência, mas cidadãos críticos, reflexivos e atuantes.
Há uma concordância expressiva, entre educadores que a formação do professor deverá ser feita buscando-se o papel ativo do professor que podendo através da reflexão adquirira conhecimento critico de sua ação docente, podendo a partir daí reconstruir os condicionantes da sua ação, os pressuspostos das suas escolhas corriqueiras.
         Compreendemos então, como a teoria e pratica favorecem a construção do saber docente, cujo objetivo é interagir para modificar a formação dos alunos, considerando este processo como fundamental para o desempenho profissional e observar que a formação do professor reflexivo é uma alternativa às dificuldades decorrentes de sua formação inicial e continuada para auxiliar sua vida profissional.
Refletir  posteriomente sobre a sua própria ação requer que o professor confronte-se com as formas de organização do seu pensamento, com os modos pelos quais as concepções de vida , mundo e educação  compuseram-se das amarras da subjetividade, a compor-se com a carga emocional decorrente do processo dessa natureza e será enfim necessário estabelecer compromissos com a mudança.
 
REFERENCIAS
 
ALARCÃO, Isabel. Professores reflexivo em uma escola reflexiva. São Paulo: Cortez, 2003
BRASIL, Ministério da educação e do desporto. Secretaria da educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil. Brasilia: MEC/SEF, 1998. v.I.
PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.
PERRENOUD, Phillipe. A pratica reflexiva no oficio do professor: profissionalizaão e razão pedagógica. Porto Aegre: Artmed, 2002.
SCHON, Donald A. Educando o profissional reflexivo: um novo design para o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre: ARMED, 2000.
TOLEDO, Elizabeth; ARAUJO, Fabíola Peixoto de; PALHARES, Willany. A formação dos professores: tendencias atuais. Pesquisa na prática pedagógica (fundamentação) normal superior. EAD UNITINS/ EDUCON: Palmas- TO, 2005.
 
 

 
 


 

 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Qual a direção do ônibus?



Essa foi a pergunta feita a alunos da pré escola, nos EUA, com a mesma figura, 90% deles responderam que o ônibus estava indo pra esquerda. Quando o professor perguntou  "por que? ", eles disseram:
"Porque nós não estamos vendo a porta do ônibus! "

AS CRIANÇAS SÃO REALMENTE SURPREENDENTES!

Para ouvir e relembrar...



Aquarela (Touquinho)

Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo...
Corro o lápis em torno
Da mão e me dou uma luva
E se faço chover
Com dois riscos
Tenho um guarda-chuva...
Se um pinguinho de tinta
Cai num pedacinho
Azul do papel
Num instante imagino
Uma linda gaivota
A voar no céu...
Vai voando
Contornando a imensa
Curva Norte e Sul
Vou com ela
Viajando Havaí
Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela
Brando navegando
É tanto céu e mar
Num beijo azul...
Entre as nuvens
Vem surgindo um lindo
Avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo
Com suas luzes a piscar...
Basta imaginar e ele está
Partindo, sereno e lindo
Se a gente quiser
Ele vai pousar...
Numa folha qualquer
Eu desenho um navio
De partida
Com alguns bons amigos
Bebendo de bem com a vida...
De uma América a outra
Eu consigo passar num segundo
Giro um simples compasso
E num círculo eu faço o mundo...
Um menino caminha
E caminhando chega no muro
E ali logo em frente
A esperar pela gente
O futuro está...
E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar...
Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim
Descolorirá...
Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
(Que descolorirá!)
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo
(Que descolorirá!)
Giro um simples compasso
Num círculo eu faço
O mundo
(Que descolorirá!)

A importância reflexão no processo de formação do professor

O processo de desenvolvimento da cidadania se dá no processo educativo. Sendo assim, os que exercem a docência são de fundamental importância na construção dessa cidadania, havendo uma necessidade de analisar e refletir a sua prática pedagógica, reavaliando seus conceitos e mudando posicionamentos.
Paulo Freire, constitui-se como um dos primeiros teóricos em educação a instituir a reflexão como um dos elementos essenciais para a prática pedagógica docente.
Para o autor a reflexão é o movimento realizado entre o fazer e o pensar sobre o fazer. Nesta visão, a reflexão surge da curiosidade sobre a prática docente, com o constante exercício dessa “curiosidade”, aos poucos se transforma em crítica.

Quando a prática é tomada como curiosidade, então essa prática vai despertar horizontes de possibilidades. Esse procedimento faz com que a prática se dê a uma reflexão e crítica. (FREIRE, 1993)

Segundo Paulo Freire (1993)  “a prática docente crítica, implica do pensar certo, envolve o movimento dinâmico, dialético entre o fazer e o pensar sobre o fazer”. A reflexão é o movimento realizado entre o fazer e o pensar, entre o pensar e o fazer, ou seja, no “pensar para o fazer” e no pensar sobre o fazer.
Sabemos que a prática docente é norteada pelo planejamento. O planejar deve ser sempre produto da reflexão do professor sobre as atividades que deverão ser realizadas e dos objetivos que quer alcançar com essas atividades, provocando reações e situações nas quais os alunos possam construir o conhecimento de maneira integrada com a interação e expressão de seus companheiros, iniciando uma aprendizagem coletiva, significativa, no social.
 Para Isabel Alarcão (2003), refletir é pensar no que se faz, atendendo aos contextos em que o professor trabalha. Sabe-se que as ações do docente devem estar relacionadas integralmente com o contexto histórico- social da comunidade escolar. Vivemos em um país de grande diversidade, não apenas de etnias, costumes, mas também de classes sociais, religiões, gostos, culturas.
É dentro desse contexto que o profissional da educação deve planejar as suas ações, orientando-se sempre para a prática de acordo com a realidade do aluno, da comunidade escolar, para que haja uma aprendizagem significativa, onde o que é trabalhado em sala de aula possa ganhar forças e ultrapassar os limites dos muros da escola e ganhar aplicabilidade, corpo fora dela.
 Donald Schön (2000) compartilha a idéia de que a reflexão surge associada com o modo como se lida com problemas da prática profissional, mesmo sem ter originalmente atentado para o aspecto de formação de professores os estudos de Donald Schon estão na base da formulação sobre o professor reflexivo, sua perspectiva em torno de três aspectos: conhecimento na prática, reflexão da prática, reflexão sobre a prática e sobre a reflexão sobre a prática.
Embora saibamos que a reflexão é uma necessidade e deveria ser uma prioridade na rotina do professor, muitos se deixam estagnar em ações repetidas que muitas das vezes não surtem efeitos em suas salas de aula. Ao pensar na prática como uma ação que deve ser renovada, reinventada a cada dia, devido ao adicionamento de novas aprendizagens, podemos então perceber que refletir é tão necessário quanto planejar, pois ambas práticas norteiam as atividades e prática pedagógica.
 Durante a reflexão, o professor não apenas busca conhecer, investigar mais do seu aluno, ou de comportamentos que ele possa ter, ou ainda de seu rendimento cognitivo. Não é apenas uma forma de avaliar as dificuldades, ou as aprendizagens que possam ter ocorrido ao educando ao longo de uma unidade ou bloco de conteúdos. É uma forma também, do professor avaliar a sua prática, as suas ações, as posturas que poderiam ser tomadas para melhor proveito, para construção do conhecimento de ambos indivíduos, visto que o professor não é mais o centro da aprendizagem e sim um mediador, um facilitador na construção do saber.
A formação da maioria dos professores, muitas vezes se dá numa total distância da teoria e prática, o que muitas vezes gera nos educadores um sentimento de decepção ou frustração, quando as suas ações planejadas não saem como se espera. Alguns desses profissionais apenas tem o contato no final de suas graduações em estágios curtos, claro que isso colabora para o crescimento profissional e intelectual, porém se esses momentos deveriam ser proporcionados ao longo do curso, permitindo ao futuro educador a possibilidade de discutir a prática embasada na teoria, amadurecendo suas práticas, acrescendo ao conhecimento, aproximando teoria e prática de maneira relevante.
         Há uma concordância expressiva, entre educadores que a formação do professor deve ser feita buscando-se o papel ativo do professor que podendo através da reflexão adquirir conhecimento critico de sua ação docente, podendo a partir daí reconstruir os condicionantes da sua ação, os pressupostos das suas escolhas corriqueiras.
 
 REFERÊNCIAS 
  • ALARCÃO, Isabel. Professores reflexivo em uma escola reflexiva. São Paulo: Cortez, 2003
  • BRASIL, Ministério da educação e do desporto. Secretaria da educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil. Brasilia: MEC/SEF, 1998. v.I.
  • PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.
  • PERRENOUD, Phillipe. A pratica reflexiva no oficio do professor: profissionalizaão e razão pedagógica. Porto Aegre: Artmed, 2002.
  • SCHON, Donald A. Educando o profissional reflexivo: um novo design para o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre: ARMED, 2000.
  • TOLEDO, Elizabeth; ARAUJO, Fabíola Peixoto de; PALHARES, Willany. A formação dos professores: tendencias atuais. Pesquisa na prática pedagógica (fundamentação) normal superior. EAD UNITINS/ EDUCON: Palmas- TO, 2005.
  • http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/0154/aberto/mt_243614.shtml http://www.centrorefeducacional.com.br/profprat.htm
  • http://www.ipv.pt/millenium/17_ect9.htm 
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