sábado, 3 de novembro de 2012

A reflexão no fazer pedagógico


Frequentemente o professor é apontado como culpado pelo fracasso escolar, porém ao longo do tempo não houveram oportunidades de explicar suas dificuldades e opiniões a fim de construir novas práticas. Daí então a necessidade de que um novo modelo de professor entre em ação, o professor reflexivo, capaz de criar suas próprias ações, de administrar as complexidades reais e de resolver situações problemáticas por meio da integração inteligente com a técnica  e os conhecimentos práticos adquiridos.
O professor reflexivo é um investigador de sua sala de aula, formula estratégias e reconstrói a sua pratica pedagógica . Ele pensa para fazer e pensa sobre o fazer. Refletir a prática se apresenta, então, com dois aspectos complementares:
Por um lado indica a necessidade de interferência na pratica, da sua modificação por um processo próprio.
Por outro, refletir a prática é praticar a reflexividade, ou seja, dinamizar a vivência através de um processo recriador , adotando como perspectiva a possibilidade inerente de construção de um novo saber. O profissional reflexivo atua de forma flexível e contextualizada, dialogando com a realidade, refletindo na e sobre a ação.
Na medida em que o profissional coloca para si questões do cotidiano como situações problemas, ele está realizando reflexão, buscando uma interpretação para aquilo que é vivenciado.
É nesse contexto que desponta a escola chamada de reflexiva, que segundo Toledo, Araújo e Palhares (2005)

[...] é uma comunidade educativa que aprende e que se desenvolve de um modo rápido, inteligente e diferenciado. É uma escola concebida com um todo dinâmico, consciente responsável, vivo, atuante e transformador da sociedade, qualquer que seja o nível que atue.


Isabel  Alarcão é uma das autoras que defende a reflexividade no âmbito educacional, entre sua obras está  Escola reflexiva e Nova Racionalidade, onde  faz defesa da escola ( comunidade escolar, recursos humanos) como um ambiente de reflexões para mudanças ideológicas, cultural, social e profissional, visto que a educação é o cerne do desenvolvimento humano e de sua vivência social.
Segundo a autora há um desejo formar uma escola concebida como organização que pensa a si própria, na sua missão, e confronta-se com o desenrrolar da sua atividade. Acredita-se que formar é organizar contextos de aprendizagens, exigentes e estimulantes, favorecendo o cultivo de atitudes saudáveis, intervindo e inteirando-se com com outros cidadãos.
Na escola todos são atores que protagonizam a organização escolar, porém o professor é um ator em primeiro plano, pois são responsáveis por termos individuais e coletivos.
Para Isabel Alarcão:
A escola reflexiva é uma “[...] organização que continuadamente se pensa a si própria, na sua missão social e na sua organização e se confronta com o desenrolar da sua atividade num processo heurístico simultaneamente avaliativo e formativo”. (ALARCÃO 2003)
 
Designa-se escola reflexiva uma “organização (escolar) que continuadamente se pensa a si própria, na sua missão social e na sua organização, e se confrota com o desenrrolar da sua atividade.(ALARCÃO, 2001). A escola concebida assim concebe-se no presente para projetar o futuro sem ignorar os problemas atuais, sabendo para onde vai. Segundo Isabel Alarcão, gerir uma escola reflexiva,  significa:
 
·                                             Saber agir em situação
·                                             Ser capaz de liderar e mobilizar pessoas
·                                             Nortear-se pelo projeto de escola
·                                             Assegurar uma atuação sistêmica
·                                             Assegurar a participação democrática
·                                             Pensar e escutar antes de decidir
·                                             Saber avaliar e deixar-se avaliar
·                                             Ser consequente
·                                             Ser capaz de ultrapassar dicotomias paralisantes
·                                             Decidir
Essa escola surge devido a novas exigências educacionais diante as transformações socais e globais gerados pelo contexto contemporâneo, com um caráter autonômo e de identidade própria. Uma escola reflexiva, em desenvolvimento e aprendizagens ao longo da história, é criada pelo pensamento e pela prática reflexiva que acompanham o desejo de compreender a razão de ser da sua existência.
 Reflexão na ação
Durante a reflexão na ação, o profissional coloca para si questões do cotidiano como situações problemas, e busca interpretações para o que é vivenciado. A reflexão na ação é a reflexão desencadeada durante a ação pedagógica, sobre o conhecimento que está implícito na ação.
 Ela é instrumento de aprendizagem do professor, pois é em contato com a situação prática, que o professor adquire e constrói novas teorias, esquemas e conceitos, reorienta, tornando-se um profissional flexível e aberto a desafios impostos pela complexidade  da interação com a prática. No entanto a reflexão realizada sobre a ação e para a ação é fundamental, pois elas podem ser utilizadas como estratégias para potencializar a reflexão na ação.
 Reflexão sobre a ação
 
A prática pedagógica na maioria das vezes é realizada diante da necessidade do ambiente educativo onde o educador necessita possuir diversas habilidades para proporcionar aos seus educandos um processo educativo que atenda suas expectativas. No entanto essa ação na maioria das vezes  é dada sem que antes seja realizada uma reflexão sobre sua prática.
Ao iniciar um curso de formação acadêmica na área pedagógica, os futuros educadores ganham a oportunidade de questionar, interpretar  e refletir sobre  o papel do educador. Essa reflexão da teoria faz com que esses professores cogitem  sobre o conhecimentos adquiridos ao longo dos anos e assim possam a cada dia oferecer aos educandos uma educação de qualidade.
Diante do exposto percebe-se que a reflexão dessa ação é indispensável para o melhoramento do processo de ensino e aprendizagem. Segundo Freire a reflexão  parte 
A curiosidade como inquietação indagadora, como inclinação ao desvelamento de algo, como pergunta verbalizada ou não, como procura de esclarecimento , como sinal de atenção que sugere alerta faz parte  faz parte integrante do fenômeno vital. Não haveria criatividade que nos move e que nos põe pacientemente impacientes diante do mundo que não fizemos, acrescentado a ele algo que fizemos. (FREIRE, 2001)       
Há então um certo distanciamento, um olhar distinto daquele que vivenciou aquela ação. Neste momento, também poderá ser realizada a reflexão sobre a reflexão realizada durante a ação.
A reflexão sobre a ação é a reflexão desencadeada após a realização da prática pedagógica, sobre essa ação e o conhecimento implícito nessa ação, possui um caráter retrospectivo. Essa reflexão pode levar ao achamento de novas ações a serem tomadas na mesma situação, possibilitanto atitudes, soluções diferentes para o mesmo problema.
 
  Reflexão sobre a reflexão na ação
 
A reflexão para a ação é um processo mais elaborado, desencadeada antes da realização da ação pedagógica, através da tomada de decisões no momento de planejamento da ação que será desenvolvida.
O próprio profissional busca a compreensão da ação, elabora sua interpretação e tem condição de criar outras alternativas para a mesma situação que possa vir acontecer.
 A reflexão sobre a reflexão na ação ajuda o professor a progredir no seu desenvolvimento e a construir a sua forma pessoal de conhecer. Trata-se de olhar retrospectivamente para a ação e refletir sobre o momento da reflexão na ação, isto é, sobre o que aconteceu, o que observou, que significado atribui e que outros significados pode atribuir ao que aconteceu. É uma reflexão proativa, que orienta-se para o futuro.
Desta forma, a postura reflexiva não requer apenas do professor o saber fazer, mais que ele possa saber explicar de forma consciente a sua prática e as decisões tomadas sobre ele e perceber se essas decisões são as melhres para favorecer a aprendizagem do seu aluno,pois segundo Perrenoud (2002), ensinar é antes de tudo agir na urgência, decidir na incerteza.
A prática docente crítica, implicante do pensar certo, envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o penar sobre o fazer. (FREIRE, 2001)
 
Percebe-se então que  profissional da educação necessita mudar posturas e práticas, a fim de melhorar a práxis pedagógica. Deixar de ser centro de transmissão de conhecimentos e ser mediador, orientador na organização de idéias aproveita as inquietações, perguntas para estabelecer dialógo com seus alunos.
Refletir a prática apresenta dois aspectos: necessidade de interferência na prática,  dinamizar a vivencia através de um processo recriador, adotando como perspectiva a possibilidade inerente de construção de um novo saber.
A prática não é só o objeto de reflexão; é também de significação, ou ressignificação. Entendida dessa maneira, a reflexão submete-se  ao tempo, cada reflexão gera uma teia de relações sociais e interpessoais, particularizando tal situação e explicitanto sua especifidade.
Refletir a prática é, assim, uma dinâmica em que o tempo se mostra como delineador daquela situação especifica.  Neste sentido podemos entender as diversas leituras e mesmo releituras da prática.
Para Veiga, os problemas educacionais, são sociais, havendo primordialmente a necessidade de mudanças na sociedade ao invés de apenas mudar a educação em si.
O processo de formação de professores, apresenta um esquema que distancia a teoria da prática, pois primeiro é fornecida ao aluno a teoria e só ao final do curso ele vive algum tipo de prática.
Deste modo tem relevância um conhecimento aplicado, onde a teoria traz em si mesmas questões que poderiam ser suscitadas pela prática e, ao mesmo tempo, a sua solução. È o paradigma da racionalidade técnica que privilegia o saber acadêmico em detrimento do saber prático.
O professor reflexivo é orientador para a organização das idéias, aproveita a inquietação de seus alunos e perguntas e estabelece dialogo, preocupa-se com o aluno real, diagnostica falhas e alimenta discussões que acompanham o ritmo de seus discentes. Nessa perscpectiva o professor deixa de ser a figura central, de ser transmissor de conhecimento, para ser um mediador.
Muitos educadores idealizam seu alunado deixando de se preocupar com o real. Não diagnosticam falhas e alimentam discussões que acompanham o ritmo dos alunos. A reflexão permite que o professor altere essas posturas e exerça com responsabilidade a sua função, que não é formar apenas indivíduos conhecedores da ciência, mas cidadãos críticos, reflexivos e atuantes.
Há uma concordância expressiva, entre educadores que a formação do professor deverá ser feita buscando-se o papel ativo do professor que podendo através da reflexão adquirira conhecimento critico de sua ação docente, podendo a partir daí reconstruir os condicionantes da sua ação, os pressuspostos das suas escolhas corriqueiras.
         Compreendemos então, como a teoria e pratica favorecem a construção do saber docente, cujo objetivo é interagir para modificar a formação dos alunos, considerando este processo como fundamental para o desempenho profissional e observar que a formação do professor reflexivo é uma alternativa às dificuldades decorrentes de sua formação inicial e continuada para auxiliar sua vida profissional.
Refletir  posteriomente sobre a sua própria ação requer que o professor confronte-se com as formas de organização do seu pensamento, com os modos pelos quais as concepções de vida , mundo e educação  compuseram-se das amarras da subjetividade, a compor-se com a carga emocional decorrente do processo dessa natureza e será enfim necessário estabelecer compromissos com a mudança.
 
REFERENCIAS
 
ALARCÃO, Isabel. Professores reflexivo em uma escola reflexiva. São Paulo: Cortez, 2003
BRASIL, Ministério da educação e do desporto. Secretaria da educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil. Brasilia: MEC/SEF, 1998. v.I.
PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.
PERRENOUD, Phillipe. A pratica reflexiva no oficio do professor: profissionalizaão e razão pedagógica. Porto Aegre: Artmed, 2002.
SCHON, Donald A. Educando o profissional reflexivo: um novo design para o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre: ARMED, 2000.
TOLEDO, Elizabeth; ARAUJO, Fabíola Peixoto de; PALHARES, Willany. A formação dos professores: tendencias atuais. Pesquisa na prática pedagógica (fundamentação) normal superior. EAD UNITINS/ EDUCON: Palmas- TO, 2005.
 
 

 
 


 

 

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