Frequentemente o professor é apontado como culpado pelo
fracasso escolar, porém ao longo do tempo não houveram oportunidades de
explicar suas dificuldades e opiniões a fim de construir novas práticas. Daí
então a necessidade de que um novo modelo de professor entre em ação, o
professor reflexivo, capaz de criar suas próprias ações, de administrar as
complexidades reais e de resolver situações problemáticas por meio da integração
inteligente com a técnica e os
conhecimentos práticos adquiridos.
O professor reflexivo é um investigador de sua sala de aula,
formula estratégias e reconstrói a sua pratica pedagógica . Ele pensa para
fazer e pensa sobre o fazer. Refletir a prática se apresenta, então, com dois
aspectos complementares:
Por um lado indica a necessidade de interferência na pratica,
da sua modificação por um processo próprio.
Por outro, refletir a prática é praticar a reflexividade, ou
seja, dinamizar a vivência através de um processo recriador , adotando como
perspectiva a possibilidade inerente de construção de um novo saber. O profissional reflexivo atua de forma flexível e contextualizada,
dialogando com a realidade, refletindo na e sobre a ação.
Na medida em que o profissional coloca para si questões do
cotidiano como situações problemas, ele está realizando reflexão, buscando uma
interpretação para aquilo que é vivenciado.
É nesse contexto que desponta a escola chamada de reflexiva,
que segundo Toledo, Araújo e Palhares (2005)
[...] é uma
comunidade educativa que aprende e que se desenvolve de um modo rápido,
inteligente e diferenciado. É uma escola concebida com um todo dinâmico,
consciente responsável, vivo, atuante e transformador da sociedade, qualquer
que seja o nível que atue.
Isabel Alarcão é uma
das autoras que defende a reflexividade no âmbito educacional, entre sua obras
está Escola
reflexiva e Nova Racionalidade, onde
faz defesa da escola ( comunidade escolar, recursos humanos) como um
ambiente de reflexões para mudanças ideológicas, cultural, social e
profissional, visto que a educação é o cerne do desenvolvimento humano e de sua
vivência social.
Segundo a autora há um desejo formar uma escola concebida
como organização que pensa a si própria, na sua missão, e confronta-se com o
desenrrolar da sua atividade. Acredita-se que formar é organizar contextos de
aprendizagens, exigentes e estimulantes, favorecendo o cultivo de atitudes
saudáveis, intervindo e inteirando-se com com outros cidadãos.
Na escola todos são atores que protagonizam a organização
escolar, porém o professor é um ator em primeiro plano, pois são responsáveis
por termos individuais e coletivos.
Para Isabel Alarcão:
A escola
reflexiva é uma “[...] organização que continuadamente se pensa a si própria,
na sua missão social e na sua organização e se confronta com o desenrolar da
sua atividade num processo heurístico simultaneamente avaliativo e formativo”.
(ALARCÃO 2003)
Designa-se escola reflexiva uma “organização (escolar) que
continuadamente se pensa a si própria, na sua missão social e na sua
organização, e se confrota com o desenrrolar da sua atividade.(ALARCÃO, 2001).
A escola concebida assim concebe-se no presente para projetar o futuro sem
ignorar os problemas atuais, sabendo para onde vai. Segundo Isabel Alarcão, gerir uma escola reflexiva, significa:
·
Saber agir em situação
·
Ser capaz de liderar e mobilizar pessoas
·
Nortear-se pelo projeto de escola
·
Assegurar uma atuação sistêmica
·
Assegurar a participação democrática
·
Pensar e escutar antes de decidir
·
Saber avaliar e deixar-se avaliar
·
Ser consequente
·
Ser capaz de ultrapassar dicotomias paralisantes
·
Decidir
Essa escola surge devido a novas exigências educacionais
diante as transformações socais e globais gerados pelo contexto contemporâneo,
com um caráter autonômo e de identidade própria. Uma escola reflexiva, em
desenvolvimento e aprendizagens ao longo da história, é criada pelo pensamento
e pela prática reflexiva que acompanham o desejo de compreender a razão de ser
da sua existência.
Reflexão
na ação
Durante a reflexão na ação, o profissional coloca para si questões
do cotidiano como situações problemas, e busca interpretações para o que é
vivenciado. A reflexão na ação é a reflexão desencadeada durante a ação
pedagógica, sobre o conhecimento que está implícito na ação.
Ela é instrumento de
aprendizagem do professor, pois é em contato com a situação prática, que o
professor adquire e constrói novas teorias, esquemas e conceitos, reorienta,
tornando-se um profissional flexível e aberto a desafios impostos pela
complexidade da interação com a prática.
No entanto a reflexão realizada sobre a ação e para a ação é fundamental, pois
elas podem ser utilizadas como estratégias para potencializar a reflexão na
ação.
Reflexão
sobre a ação
A prática pedagógica na maioria das vezes é realizada diante
da necessidade do ambiente educativo onde o educador necessita possuir diversas
habilidades para proporcionar aos seus educandos um processo educativo que
atenda suas expectativas. No entanto essa ação na maioria das vezes é dada sem que antes seja realizada uma reflexão
sobre sua prática.
Ao iniciar um curso de formação acadêmica na área pedagógica,
os futuros educadores ganham a oportunidade de questionar, interpretar e refletir sobre o papel do educador. Essa reflexão da teoria
faz com que esses professores cogitem
sobre o conhecimentos adquiridos ao longo dos anos e assim possam a cada
dia oferecer aos educandos uma educação de qualidade.
Diante do exposto percebe-se que a reflexão dessa ação é
indispensável para o melhoramento do processo de ensino e aprendizagem. Segundo
Freire a reflexão parte
A curiosidade
como inquietação indagadora, como inclinação ao desvelamento de algo, como
pergunta verbalizada ou não, como procura de esclarecimento , como sinal de
atenção que sugere alerta faz parte faz parte integrante do fenômeno vital. Não haveria
criatividade que nos move e que nos põe pacientemente impacientes diante do
mundo que não fizemos, acrescentado a ele algo que fizemos. (FREIRE, 2001)
Há então um certo distanciamento, um olhar distinto daquele
que vivenciou aquela ação. Neste momento, também poderá ser realizada a
reflexão sobre a reflexão realizada durante a ação.
A reflexão sobre a ação é a reflexão desencadeada após a
realização da prática pedagógica, sobre essa ação e o conhecimento implícito
nessa ação, possui um caráter retrospectivo. Essa reflexão pode levar ao
achamento de novas ações a serem tomadas na mesma situação, possibilitanto
atitudes, soluções diferentes para o mesmo problema.
Reflexão sobre a reflexão na ação
A reflexão para a ação é um processo mais elaborado,
desencadeada antes da realização da ação pedagógica, através da tomada de
decisões no momento de planejamento da ação que será desenvolvida.
O próprio profissional busca a compreensão da ação, elabora
sua interpretação e tem condição de criar outras alternativas para a mesma
situação que possa vir acontecer.
A reflexão sobre a
reflexão na ação ajuda o professor a progredir no seu desenvolvimento e a
construir a sua forma pessoal de conhecer. Trata-se de olhar retrospectivamente
para a ação e refletir sobre o momento da reflexão na ação, isto é, sobre o que
aconteceu, o que observou, que significado atribui e que outros significados
pode atribuir ao que aconteceu. É uma reflexão proativa, que orienta-se para o
futuro.
Desta forma, a postura reflexiva não requer apenas do
professor o saber fazer, mais que ele possa saber explicar de forma consciente
a sua prática e as decisões tomadas sobre ele e perceber se essas decisões são
as melhres para favorecer a aprendizagem do seu aluno,pois segundo Perrenoud
(2002), ensinar é antes de tudo agir na urgência, decidir na incerteza.
A prática
docente crítica, implicante do pensar certo, envolve o movimento dinâmico,
dialético, entre o fazer e o penar sobre o fazer. (FREIRE, 2001)
Percebe-se então que
profissional da educação necessita mudar posturas e práticas, a fim de
melhorar a práxis pedagógica. Deixar de ser centro de transmissão de
conhecimentos e ser mediador, orientador na organização de idéias aproveita as
inquietações, perguntas para estabelecer dialógo com seus alunos.
Refletir
a prática apresenta dois aspectos: necessidade de interferência na
prática, dinamizar a vivencia através de
um processo recriador, adotando como perspectiva a possibilidade inerente de
construção de um novo saber.
A
prática não é só o objeto de reflexão; é também de significação, ou
ressignificação. Entendida dessa maneira, a reflexão submete-se ao tempo, cada reflexão gera uma teia de
relações sociais e interpessoais, particularizando tal situação e explicitanto
sua especifidade.
Refletir
a prática é, assim, uma dinâmica em que o tempo se mostra como delineador
daquela situação especifica. Neste
sentido podemos entender as diversas leituras e mesmo releituras da prática.
Para
Veiga, os problemas educacionais, são sociais, havendo primordialmente a
necessidade de mudanças na sociedade ao invés de apenas mudar a educação em si.
O processo de formação de professores, apresenta um esquema
que distancia a teoria da prática, pois primeiro é fornecida ao aluno a teoria
e só ao final do curso ele vive algum tipo de prática.
Deste modo tem relevância um conhecimento aplicado, onde a
teoria traz em si mesmas questões que poderiam ser suscitadas pela prática e,
ao mesmo tempo, a sua solução. È o paradigma da racionalidade técnica que
privilegia o saber acadêmico em detrimento do saber prático.
O professor reflexivo é orientador para a organização das
idéias, aproveita a inquietação de seus alunos e perguntas e estabelece
dialogo, preocupa-se com o aluno real, diagnostica falhas e alimenta discussões
que acompanham o ritmo de seus discentes. Nessa perscpectiva o professor deixa
de ser a figura central, de ser transmissor de conhecimento, para ser um
mediador.
Muitos educadores idealizam seu alunado deixando de se preocupar
com o real. Não diagnosticam falhas e alimentam discussões que acompanham o
ritmo dos alunos. A reflexão permite que o professor altere essas posturas e
exerça com responsabilidade a sua função, que não é formar apenas indivíduos
conhecedores da ciência, mas cidadãos críticos, reflexivos e atuantes.
Há
uma concordância expressiva, entre educadores que a formação do professor
deverá ser feita buscando-se o papel ativo do professor que podendo através da
reflexão adquirira conhecimento critico de sua ação docente, podendo a partir
daí reconstruir os condicionantes da sua ação, os pressuspostos das suas
escolhas corriqueiras.
Compreendemos
então, como a teoria e pratica favorecem a construção do saber docente, cujo
objetivo é interagir para modificar a formação dos alunos, considerando este
processo como fundamental para o desempenho profissional e observar que a
formação do professor reflexivo é uma alternativa às dificuldades decorrentes
de sua formação inicial e continuada para auxiliar sua vida profissional.
Refletir posteriomente sobre a sua própria ação requer
que o professor confronte-se com as formas de organização do seu pensamento,
com os modos pelos quais as concepções de vida , mundo e educação compuseram-se das amarras da subjetividade, a
compor-se com a carga emocional decorrente do processo dessa natureza e será
enfim necessário estabelecer compromissos com a mudança.
REFERENCIAS
ALARCÃO, Isabel. Professores reflexivo em uma escola
reflexiva. São Paulo: Cortez, 2003
BRASIL, Ministério da
educação e do desporto. Secretaria da educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para
Educação Infantil. Brasilia: MEC/SEF, 1998. v.I.
PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. Rio
de Janeiro: Zahar, 1975.
PERRENOUD, Phillipe. A
pratica reflexiva no oficio do professor: profissionalizaão e razão pedagógica.
Porto Aegre: Artmed, 2002.
SCHON, Donald A. Educando o
profissional reflexivo: um novo design para o ensino e a aprendizagem. Porto
Alegre: ARMED, 2000.
TOLEDO, Elizabeth; ARAUJO,
Fabíola Peixoto de; PALHARES, Willany. A formação dos professores: tendencias
atuais. Pesquisa na prática pedagógica (fundamentação) normal superior. EAD
UNITINS/ EDUCON: Palmas- TO, 2005.
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